Alergia alimentar
- 10 de ago. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 25 de ago. de 2025

A alergia alimentar é uma resposta exagerada do organismo a uma determinada substância, geralmente uma proteína presente no alimento.
Os sintomas podem surgir na pele, no sistema gastrointestinal e respiratório. As reações podem ser leves, como coceira nos lábios, até reações graves que podem comprometer vários órgãos. A alergia alimentar resulta de uma resposta exagerada do organismo a uma determinada substância presente nos alimentos.
O que é uma reação adversa a alimentos?
É qualquer reação indesejável que ocorre após ingestão de alimentos ou aditivos alimentares. Essas reações podem ser tóxicas e não-tóxicas. As não-tóxicas podem ser de intolerância ou hipersensibilidade.
Um exemplo de reação alimentar não-alérgica é a ingestão de alimento contaminado por
por microrganismos, e que apresenta sintomas agudos como febre, vômitos e diarreia.
A intolerância à lactose é considerada uma alergia alimentar?
Não, a intolerância à lactose não é considerada uma alergia alimentar. A intolerância à lactose é uma desordem metabólica onde a ausência da enzima lactase no intestino determina uma incapacidade na digestão da lactose (açúcar do leite), que pode resultar em sintomas intestinais como distensão abdominal e diarreia. Esta intolerância geralmente é dose dependente, e o indivíduo pode tolerar pequenos volumes de leite por dia ou se beneficiar de produtos lácteos industrializados com baixos teores de lactose.
Portanto, a intolerância à lactose não é uma alergia alimentar apesar de frequentemente confundida pelos familiares e profissionais de saúde. É muito importante esta diferenciação, pois a orientação nutricional é distinta. Enquanto na intolerância à lactose, eventualmente, é possível ingerir pequenas quantidades de leite e produtos apenas isentos de lactose, na alergia às proteínas do leite a alimentação não deve conter nada de leite, nem traços ou derivados.
Indivíduos com outras doenças alérgicas podem apresentar maior incidência de alergia alimentar?
Sim. Pacientes com doenças alérgicas apresentam uma maior incidência de alergia alimentar, sendo encontrada em 38% das crianças com dermatite atópica e em 5% das crianças com quadro de asma. Essa predisposição está relacionada a uma tendência geral do sistema imunológico a reações alérgicas mais exacerbadas.
Fatores envolvidos na alergia alimentar
A predisposição genética, alterações no intestino, e a potência antigênica de alguns alimentos. Existem mecanismos de defesa principalmente do trato gastrintestinal que impedem a penetração do alérgeno alimentar e consequente sensibilização. Estudos indicam que de 50% a 70% dos pacientes com alergia alimentar possuem história familiar de alergia. Se o pai e a mãe apresentam alergia, a probabilidade de terem filhos alérgicos é de 75%.
Quais são os alimentos mais frequentemente envolvidos na alergia alimentar?
Qualquer alimento pode desencadear reação alérgica. No entanto, leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixe e crustáceos são os mais envolvidos. A sensibilização a estes alimentos (formação de anticorpos IgE) depende dos hábitos alimentares da população. O amendoim, os crustáceos, o leite de vaca e as nozes são os alimentos que provocam reações graves (anafiláticas) com maior frequência.
Os alimentos podem provocar reações cruzadas, ou seja, alimentos diferentes podem induzir respostas alérgicas semelhantes no mesmo indivíduo. O paciente alérgico ao camarão pode não tolerar outros crustáceos. Da mesma forma, pacientes alérgicos à castanha de caju têm maior chance de reagir ao pistache. Mesmo assim, dietas multi restritivas não devem ser feitas sem orientação médica. A partir do diagnóstico, o alergista passará as orientações específicas e a dieta de restrição adequada para cada caso.
Corantes e aditivos alimentares
As reações adversas aos conservantes, corantes e aditivos alimentares são extremante raras, difíceis de serem comprovadas. O corante artificial tartrazina (FD&C amarelo#5), sulfitos e glutamato monossódico são relatados como causadores de reações. A tartrazina pode ser encontrada nos sucos artificiais, gelatinas e balas coloridas enquanto o glutamato monossódico pode estar presente nos alimentos salgados como temperos (caldos de carne ou galinha). Os sulfitos são usados como conservantes em alimentos (frutas desidratadas, vinhos, sucos industrializados).
Sintomas de alergia alimentar
Reações que envolvem a pele (urticária, inchaço, coceira, eczema)
Reações que envolvem o aparelho gastrintestinal (diarreia, dor abdominal, vômitos)
Anafilaxia
Nas crianças pequenas, pode ocorrer perda de sangue nas fezes, o que pode ocasionar anemia e retardo no crescimento
Sintomas respiratórios (tosse, sibilância e rinite) isolados são extremamente incomuns
Diagnóstico
O diagnóstico depende do histórico clínico do paciente associado a dados de exame físico, que podem ser complementados por testes alérgicos.Na consulta é fundamental que o paciente ou seus responsáveis, no caso das crianças, auxilie fornecendo detalhes sobre os alimentos ingeridos rotineiramente ou eventualmente. Em algumas situações, é possível correlacionar o surgimento dos sintomas com a ingestão de determinado alimento. Em outras ocasiões, o quadro não é tão evidente, necessitando de história mais detalhada. Isso ocorre principalmente quando as reações ocorrem horas após a ingestão do alérgeno.
A alergia alimentar ocorre mais frequentemente nas crianças pequenas, e o leite de vaca e o ovo são os alimentos mais comuns. O chocolate, apesar de muitas vezes demonizado (pelos pais e avós) como causa de alergia alimentar, raramente causa alergia. Nestes casos, é preciso pesquisar alergia às proteínas do leite de vaca ou da soja, usadas em sua fabricação. Nos adultos, o camarão é queixa frequente.A alergia a amendoim e castanhas no geral têm crescido muito em crianças e adultos.
Monitoramento contínuo
Até o momento, não existe um medicamento específico para prevenir a alergia alimentar. Uma vez diagnosticada, são utilizados medicamentos específicos para o tratamento dos sintomas na crise, sendo de extrema importância fornecer orientações ao paciente e familiares para que se evite novos contatos com o alimento desencadeante. As orientações devem ser fornecidas por escrito visando a substituição do alimento excluído e evitando-se deficiências nutricionais até quadros de desnutrição importante, principalmente, nas crianças.
É recomendado que o paciente esteja sempre atento, verificando o rótulo dos alimentos industrializados buscando identificar nomes relacionados ao alimento que lhe desencadeou a alergia. Por exemplo, a presença de manteiga, soro, lactoalbumina ou caseinato apontam para a presença de leite de vaca. Todas as orientações devem ser fornecidas aos pacientes e familiares.
Prevenção
Nos bebês a exposição oportuna dos pacientes aos principais alérgenos no momento da introdução da alimentação complementar, dentro do primeiro ano de vida, preferencialmente até os 9 meses de idade, parece proteger das alergias alimentares. O aleitamento materno deve ser sempre estimulado.
Os pacientes de alto risco de alergia alimentar (com dermatite atópica moderada a grave, alergia alimentar ou os filhos e irmãos de pacientes com doenças alérgicas) também devem ser expostos aos alimentos neste período, sem necessidade de adiar a introdução de alguns alimentos como forma de prevenção.O benefício do uso de fórmulas hipoalergênicas para recém-nascidos que não podem ser amamentados de leite materno ainda não está bem estabelecido.
É possível estabelecer mais qualidade de vida nutricional. A Dra Camila Vogel é Alergista e Imunologista Pediátrica e trata casos de Alergia Alimentar. Agende uma consulta pelos telefones (53) 3222-8213 ou 99968-8213, e WhatsApp (53) 99968-8213

